Minha presença nunca fez diferença.
Talvez mesmo depois disso as pessoas continuem não notando a minha falta.
Afinal quem se importa com a vida, ou neste caso com a morte, de um homem solitário como eu? Esta pergunta me atormentou por noites e dias.
Noites não dormidas, perturbado com as coisas mais sombrias dessa vida, sofrendo, machucando, chorando esses sentimentos enclausurados dentro de mim.
Dias intermináveis monótonos sem graça, carregando remorsos e nojo daqueles que caminham ao meu redor, pessoas tao estupidas e egoístas que espero que queimem no inferno, se houver um.
Este é um ponto importante, não sou religioso, não acredito que irei pagar por toda a eternidade pelo ato que vou cometer ao final desta carta. Acredito que é um ponto final, e poderei não pensar mais nestas coisas que me perseguem, esses fantasmas.
Sombras de um passado obscuro, muito obscuro, mas não tao obscuro quanto este mundo cruel que decepa todos nossos sonhos, ou pelo menos os sonhos de pessoas como eu.
Eu tentei me mostrar forte diante da vida, tentei encarar as coisas, mas o mundo sempre conseguiu me mostrar o quanto eu sou impotente nele. Sou fraco. Insignificante.
Essas palavras penetraram em minha mente de tal forma que eu tive que aceita-las, e pude ver a criatura penosa que sou, pude ver nos outros os desejos impuros que os mantem.
Mas, assim como a minha vida, os motivos que me trouxeram a este ponto também não são importantes. Não devo explicações a ninguém, ou melhor, devo algumas para as autoridades que estão prestes a me encontrar, ou talvez demore dias ate que a vizinhança sinta o cheiro da decomposição.
Para a autoridade que primeiro ler esta carta, apesar de odiar a sua entidade que toma todo ato como em nome da justiça, deixo meus bens materiais, que nao sao muitos mas podera vender para alguem nao supersticioso pois amaldiçoei este lugar durante toda minha estadia. Meus pertences pessoais nao serao entregados a ninguem, ate por que ninguem gostaria de ficar com eles, mas ja os queimei junto com aquelas bisonhas fotos minhas de criança, e ja faz algum tempo. O dinheiro da minha poupança, deixo metade para o primeiro mendigo que voces encontrarem, aposto que ele fara mais proveito do que eu, e a outra a metade deixo para a moça da ferragem aqui do bairro que me vendeu a corda de melhor qualidade que ela tinha.
A ultima coisa que me restara sera meu proprio corpo sem vida, nao doarei meus orgaos para nao dar azar para nenhum infeliz doente, entao me enterre, e deixe minha lapide sem o nome, pior do que ser esquecido quando em vida eh ser lembrado quando morto.
Talvez seja clichê esta minha despedida, mas ela traduz todos meu sentimentos em vida.Por isso digo...
Adeus mundo cruel.
=O Psicoterapia nele xD
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