A filha estava esquisita por esses dias, ficava andando pelos cantos, silenciosa, de vez em quando a via vagando pela casa de noite, sem sono, inquieta, como se refletisse sobre alguma questao pessoal. A mãe se procupava com a filha pensando que poderia ser algum princípio de depressão, mas ela preferia acreditar que era apenas algum incomodo que a filha poderia ter tido com o novo namorado,e este que,também, por acaso, agia estranhamente.
A mãe não gostava de se meter nos assuntos da filha, sabia muito bem que ela já tinha idade suficiente para se cuidar sozinha, de saber o que era certo e errado, e principalmente de arcar responsavelmente com as consequencias de seus atos, mas ainda ficava com o coração na mão todas as vezes que a filha voltava tarde da noite com o namorado.
Foi então, em uma manhã, que a mãe resolveu tomar uma atitude e tentar dar uma injeção de ânimo para a filha, mesmo que esta preferisse dormir até tarde. Levaria a filha para um dia de compras no shopping e passeios pela cidade para se distrair, e parece que tudo colaborava a seu favor porque até o mesmo o sol brilhava ofuscantemente naquele dia.
Foi ao quarto da garota que, naquela escuridão obtida pelas cortinas pretas totalmente fechadas, parecia um mausoléu.
— Filha! Acorde que o dia tá a coisa mais linda lá fora! Então vamos passear!
— Aiiinn — gemeu a filha com a miníma vontade de sair da cama e se encolhendo mais ainda debaixo do cobertor.
— Vamos filha, vai ser legal! — disse a mãe, sentado na cama da garota e lhe fazendo carinho — Poderemos fazer o que você quiser!
— Mas eu não quero fazer nada mãe, só quero dormir mais um pouco!
— Mas seu pai até liberou o cartão de crédito!
— Me deixa mãe!!! Eu não quero, tá?!! — disse a filha revoltada e se virando de costas.
A mãe sabia que aquela era uma fase complicada, e de rebeldia, mas aquilo a deixou profundamente magoada e furiosa. Não aguentava mais esse tipo de abuso e ingratidão, não permitiria mais que a filha a tratasse assim.
— Chegou, filha!!! Não vou tolerar mais isso! — disse a mãe se levantando da cama subtamente — Agora acho melhor você levantar dessa cama, e vai me ajudar com os afazeres, começando por varrer esse seu quarto imundo!
A mãe puxou a coberta descobrindo todo o corpo da filha, a garota pálida tentou agarrar-se na coberta novamente mas a mãe jogou longe.
— Acho melhor você criar responsabilidade guria!— disse pegando as cortinas negras.
— Não, mãe!!!!!!!!! — gritou a filha, mas já era tarde de mais.
A mãe havia aberto as cortinas, e agora o sol reluzente atravessava a janela transbordando por todos os cantos do quarto, e houve um estampido abafado de algo se desfazendo.
A mãe se virou, e viu sobre a cama exatamente onde sua filha estivera deitada um monte de pó que caía e se espalhava lentamente pelo chão.
A mãe tinha intuido. Aquele novo namorado da filha tinha atividades muito estranhas e aqueles caninos afiados não poderiam ser normais. Mas o que poderia fazer? Ela tinha ensinado a filha a arcar com as consequencias das coisas, mesmo como essas.
Então a mãe saiu do quarto para buscar a vassoura.
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